Bifosfonatos orais
Risco geralmente menor, mas não inexistente
Exemplos: alendronato, risedronato e ibandronato.
Utilização frequente: osteoporose.
Guia rápido para triagem, estratificação de risco e decisão médico-dentária com mais método e segurança.
Guia de bolso
Antes de realizar uma extração, estratifique o risco. Antes de estratificar, pergunte.
Um risco silencioso
Muitos pacientes chegam à clínica dentária a usar medicamentos para osteoporose, metástases ósseas, mieloma múltiplo ou outras doenças osteometabólicas. Frequentemente, dizem apenas “uso um medicamento para os ossos” ou “faço uma injeção de 6 em 6 meses”.
Alguns destes medicamentos podem estar relacionados com a osteonecrose dos maxilares associada a medicamentos, conhecida como MRONJ. O evento é raro em muitos cenários, mas pode ser grave, difícil de gerir e ter grande impacto funcional, infecioso e legal.
Compreender o problema
Bifosfonatos orais
Exemplos: alendronato, risedronato e ibandronato.
Utilização frequente: osteoporose.
Bifosfonatos intravenosos
Exemplos: ácido zoledrónico e pamidronato.
Utilização frequente: oncologia, metástases ósseas e mieloma múltiplo.
Denosumab
Prolia®: utilização frequente em osteoporose, geralmente de 6 em 6 meses.
Xgeva®: utilização frequente em oncologia e metástases ósseas.
Quando o paciente não sabe o nome
Definição clínica
Em linhas gerais, envolve uso atual ou prévio de antirreabsortivos ou terapias associadas, osso exposto ou sondável por fístula por mais de oito semanas e ausência de radioterapia ou metástase nos maxilares.
Não trate osso exposto persistente como “alveolite simples”.
Riscos evitáveis
Abra cada ponto para consultar o raciocínio recomendado.
Porque é perigoso: bifosfonato oral, ácido zoledrónico intravenoso e denosumab oncológico não têm o mesmo peso de risco.
Como pensar: confirme nome, dose, via, frequência, tempo de utilização, indicação e médico prescritor.
Pacientes oncológicos costumam receber esquemas mais intensos e frequentes. A pergunta não é apenas “usa ou não usa?”, mas porque usa, como usa e há quanto tempo usa.
Antes de extrair, avalie endodontia, sepultamento radicular, ajuste protético, controlo periodontal, remoção de trauma e manutenção assistida.
Marcadores de remodelação óssea não estão validados isoladamente para decidir a abordagem em MRONJ. Considere indicação, via, tempo de utilização, comorbilidades, infeção local e extensão cirúrgica.
A suspensão é controversa. No denosumab, a interrupção pode aumentar a reabsorção óssea e o risco de fraturas vertebrais múltiplas. O médico dentista estratifica o risco e discute a decisão com o médico assistente.
Prevenção também significa remover trauma, controlar o biofilme, ajustar próteses, manter a mucosa íntegra e monitorizar sinais precoces.
Protocolo prático de decisão
Transforme informação dispersa numa sequência clínica repetível.
Procedimento, urgência, medicação, via, indicação, tempo de utilização, infeção, comorbilidades, antecedente de MRONJ e relatório médico.
Riscos hemorrágico, infecioso, metabólico, ósseo, cirúrgico, protético e medicamentoso.
Avançar, ajustar, adiar, referenciar ou discutir com o médico assistente conforme o conjunto de riscos.
Fluxograma textual
Se sim, avance na estratificação. Se não, siga a triagem sistémica habitual.
Procedimentos não invasivos geralmente podem ser realizados com cuidado. Nos invasivos, estratifique o risco.
Na osteoporose, o risco costuma ser menor. Em oncologia, a cautela é maior.
Controle a infeção, avalie alternativas conservadoras e planeie a intervenção menos traumática.
Não trate como alveolite simples. Referencie para estomatologia ou cirurgia maxilo-facial.
Adie o procedimento eletivo e complete a informação clínica. Quando a dúvida é real, adiar pode ser a decisão clínica mais segura.
Checklist clínico
Avançar com cuidado
Aprofundar a avaliação
Adiar, discutir ou referenciar
Aplicação na clínica dentária
Confirme doença de base, nome da medicação, via, duração, última dose, prescritor e antecedentes de má cicatrização ou osso exposto.
Verifique pressão arterial, glicemia quando clinicamente indicada, estado geral e sinais de infeção. O risco ósseo não elimina os outros riscos sistémicos.
A utilização de bifosfonato ou denosumab não gera contraindicação automática. Considere cardiopatia, diabetes, doença renal, doença hepática e outras medicações.
Avalie anticoagulantes, antiagregantes, plaquetas e função renal e hepática. Evite prescrever de forma automática em pacientes idosos, oncológicos ou polimedicados.
Quando contactar o médico assistente
O método protege
Material para consulta
O PDF possui 40 páginas em formato vertical, preparado para leitura e consulta rápida no telemóvel.
Ficheiro PDF • 40 páginas • leitura otimizada para telemóvel